Tenho andado ultimamente escrava de uma disciplina mais exata, mas nem por isto menos sutil e poética. De repente me vi prazerosamente presa entre traços e tangentes, ângulos e curvas, pontos e retas. Um momento verdadeiramente cartesiano, certamente cercado de criatividade, mas que me furtou das palavras, do prazer que tenho de brincar com elas, de montá-las e desmontá-las ao meu bel prazer.
Minha poesia transmutou-se. Das palavras migrou para a forma, foi capturada por outra espécie de símbolo. Escapou às letras e da ponta do meu lápis nega-se a surgir através da escrita, mas transparece concretamente em meio aos esboços e criações, fruto dos meus afazeres cotidianos.
Minha poesia foi capturada pela geometria. Em meio a minha ansiedade por palavras que não escapuliam da minha mente diretamente para a ponta dos meus dedos, às vezes me perguntei: uma geopoesia, uma poemetria, que faço eu agora?
Imagino que, momentaneamente, sigo hoje na eterna busca, não mais pelas palavras, mas percorrendo o inexorável caminho da existência, como duas retas numa perspectiva que buscam o (encontram-se no) INFINITO.
(Sarah K > set/2006)
